

A maioria das pessoas sabe que networking é importante. Poucos, no entanto, param para avaliar se estão fazendo isso da forma certa. E o problema raramente é falta de presença em eventos ou de contatos na agenda. O problema, quase sempre, está no comportamento.
Networking não é sobre você
O erro mais comum e mais silencioso de quem tenta construir uma rede de contatos é chegar em qualquer interação pensando primeiro no que pode ganhar. A abordagem transacional, aquela em que a pessoa só aparece quando precisa de algo, é percebida rapidamente por quem está do outro lado e corrói a credibilidade antes mesmo de qualquer relação ser construída.
Pesquisa da Universidade de Harvard sobre comportamento em redes profissionais aponta que as conexões mais duradouras e produtivas são construídas por pessoas que demonstram interesse genuíno pelo outro antes de apresentar qualquer demanda.
Quem chega agregando valor antes de pedir, cria uma dinâmica completamente diferente. Quem chega pedindo, raramente recebe.
A origem de um mentor e o início no digital
No episódio 488 do Café com ADM, Victor Damásio conta sua trajetória do direito ao marketing digital em 2012, quando criou um curso online de guitarra que se tornou case de sucesso. Foi ali que desenvolveu sua vocação para mentorias, ajudando centenas de pessoas e construindo as bases de uma carreira sólida como mentor de mentores.
Quantidade de contatos não é rede
Ter milhares de conexões em plataformas profissionais ou centenas de cartões de visita guardados em uma gaveta não significa ter uma rede. Significa ter uma lista. A diferença entre os dois é o que determina se o networking vai gerar resultado ou não. Uma rede real é feita de relações com algum nível de reciprocidade, confiança e contexto compartilhado.
Segundo o sociólogo Mark Granovetter, da Universidade de Stanford, os chamados laços fracos, ou seja, conhecidos com quem se tem contato esporádico mas genuíno, são responsáveis por grande parte das oportunidades profissionais que surgem ao longo de uma carreira. O que importa não é o tamanho da rede, mas a qualidade das pontes que ela forma.
A inconsistência que apaga presença
Outro comportamento que compromete o networking é a intermitência. A pessoa aparece em um evento, faz boas conversas, troca contatos e some. Meses depois reaparece, geralmente quando tem algo a vender ou um favor a pedir. Esse padrão, mesmo que inconsciente, transmite uma mensagem clara: o relacionamento só existe quando é conveniente.
Construir presença consistente não exige grandes gestos. Um comentário relevante, uma indicação espontânea, uma mensagem sem pauta definida são atitudes simples que mantêm a relação viva e criam a base para que, quando houver uma necessidade real, a conexão já exista de verdade.
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O networking começa antes da oportunidade aparecer
O maior erro estratégico de todos é tentar construir rede apenas quando se precisa dela. Nesse momento, já é tarde. Relações levam tempo para se desenvolver, e tentar acelerar esse processo por necessidade imediata quase sempre produz o efeito oposto ao desejado.
Networking eficiente é uma prática contínua, não uma ação pontual. Quem entende isso para de tratar conexões como recursos a serem acionados e começa a tratá-las como relacionamentos a serem cultivados. Essa mudança de perspectiva, simples na teoria e desafiadora na prática, é o que separa quem tem uma rede de verdade de quem apenas conhece muita gente.


